Sempre fui avessa a bordados. Na primária tínhamos de fazer trabalhos para o dia da mãe em ponto de cruz. As minhas linhas sobrepunham-se caoticamente em nós, todos os dias perdia uma agulha e ia, com a minha mãe, a quem daria aquele pano com meia dúzia de rosas esparsas, comprar o efémero instrumento de trabalho. Ficava à porta da retrosaria, com vergonha da vendedora. "Mas ela fica toda contente porque vende mais uma agulha!" animava-me a minha mãe, depois de me repreender levemente por ter perdido mais uma! . Quem diria que a minha relação com o bordado se redimiria através de uma novela gráfica: Corpo de Cristo , da autora galega Bea Lema. Há experiências artísticas anteriores que combinam narrativa e têxtil, de autores como Aurélie William Levaux, Thisou Dartois e Gareth Brookes. Além destes, são dignas de menção as antigas arpilleras chilenas , que inspiraram a autora: bordados artesanais criados por um grupo de mulheres de Isla Negra, entre 1970 e 1990, durante...
Conheça um pouco melhor os interesses e a imaginação que habitam a Escrivaninha.