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Mensagens

Abaixo vs a baixo

Fonte: Unsplash Há duas expressões que as pessoas confundem constantemente na escrita:  a baixo  e  abaixo . Ora, se na oralidade o erro não se vê, quando escrevemos de pena ou caneta BIC em riste já não é bem assim. Quase sempre nos baralhamos com estas expressões que, apesar de terem as mesmas letras, se grafam de maneiras diferentes. E porque não queremos, meus caros, que vão para a cama com um peso na consciência — a pensar se na vossa dissertação de mestrado ou tese de doutoramento trocaram estas expressões — vamos, finalmente, esclarecer este imbróglio. Antes de mais, importa saber se pretendemos usar o  abaixo  ou o  a baixo , que têm, obviamente, grafias e sentidos diferentes. Vejam, então, a explicação abaixo. Exemplos com  abaixo : 1) «Imediatamente  abaixo  da minha nota, ficou a do Miguel.» 2)   « Abaixo  o acordo ortográfico!» Na frase 1) temos o advérbio de lugar  abaixo  us...

Sobre a tradição

Unsplash Com a aproximação do Natal, essa época tão festiva, julgo ser benéfico tirarmos um tempinho para pensarmos sobre a nossa natureza, e a importância da tradição. Quando falamos de tradição, acabamos sempre por ouvir as mesmas máximas atiradas por ambos os lados da barricada: «a tradição não é boa por ser antiga, mas é antiga por ser boa!» ou «a tradição é uma coisa antiquada, quando olhamos para ela com os olhos de hoje ela deixa de fazer sentido». O primeiro argumento toma como garantido que tudo o que é bom perdura, e que o que era bom no passado continua a ser bom no presente; o segundo argumento parte do pressuposto que o homem está em constante evolução e que os males do passado lá ficaram e que as bondades do presente para sempre cá ficarão. É no meio deste binómio que gostaria de pôr mais um galo nesta luta, tentando convencer-vos (na medida das minhas possibilidades) que as tradições são boas precisamente porque nós somos maus, mas mutáveis. O me...

Demandai-nos mais demandas destas!

Quem a ti te exige, a ti te demanda | Pixabay O substantivo  demanda  e o verbo  demandar  talvez não sejam as palavras mais utilizadas no dia-a-dia de todos os falantes de português, mas picam o ponto em muitas situações em que nos vemos obrigados a utilizar uma linguagem mais cuidada e formal, ou em algumas expressões cristalizadas pelo uso — fixo — da língua. Em todo o caso, nem sempre é claro o que significam estas palavras e, consequentemente, nem sempre é óbvio em que circunstâncias devem ocorrer e com que preposições devem ser utilizadas. Não é verdade? Então, cá vai: O verbo  demandar  pode ser um verbo transitivo — isto é, um verbo que precisa de um complemento no seu predicado — e, nesse caso, pode significar a acção de «intentar uma demanda contra algo/alguém», de «solicitar alguma coisa», de «exigir/reclamar» , de «procurar algo/alguém», de «ir à procura de algo/alguém». Vejam-se dois exemplos: 1) «O sequestrado...

As facas de V. Romão

Facas  foi o primeiro livro que li de Valério Romão e, pelos vistos, já vou bastante atrasada. Fui descobri-lo numa daquelas estantes de livros para partilhar que às vezes se encontram por aí, nos cafés, nos hotéis, nas livrarias… Desta vez, a estante não era bem uma estante, mas sim um cesto que encontrei num museu que frequento na vila de S. Brás de Alportel, no Algarve. O seu rosto vermelho e o tamanho maneirinho brilharam no fundo do cesto de vime e reparei que, ironicamente, o exemplar já tinha alguns cortes e rabiscos na capa e contracapa — aquelas marcas de uso próprias da vida dos livros e, diria eu, da vida dos livros sobre objectos cortantes. Fui descobri-lo numa daquelas estantes de livros para partilhar que às vezes se encontram por aí, nos cafés, nos hotéis, nas livrarias… Desta vez, a estante não era bem uma estante, mas sim um cesto que encontrei num museu que frequento na vila de S. Brás de Alportel, no Algarve. O seu rosto vermelho e o t...

O peculiar verbo haver

Haver, um verbo “armadilha”? Fonte: Unsplash O verbo  haver   é um verbo peculiar que muitos de nós não conjugam correctamente.  Por isso, no 100 erros de hoje, vamos tentar dissipar as dúvidas que sobre ele recaem. Se, como na grande maioria dos verbos, a conjugação se torna sempre uma lengalenga escolar — como, por exemplo, em «eu canto, tu cantas, nós cantamos, vós (este, saudoso!) cantais, nós cantamos, eles cantam» — , no verbo  haver  há só uma destas formas. Obviamente que tal não se aplica  quando o verbo  haver  é auxiliar , como acontece nas frases seguintes, e que referimos a título de exemplo: a) Eu  hei - de  ser bem-sucedido! b) Eles  hão - de  considerar essa hipótese. Porém, quando o verbo  haver  é verbo principal, conjuga-se apenas na 3.ª pessoa do singular, mesmo que o objecto directo a que se refira seja uma expressão no plural, tal como provam os seguintes exemplos...

Irlanda a 4 - parte II

Lower Lake, em Glendalough, ao final da tarde Há um ano, fomos à Irlanda a 4. Hoje, o David e a Elsa contam como foi. Na semana passada o Zé e a Marta contaram-nos a sua experiência. Leiam a parte I  aqui . Uma breve passagem por Dublin A nossa viagem pela Irlanda começou muito antes da nossa chegada à ilha. O planeamento envolveu várias noites de jantar seguido de conversa, por vezes acesa, sobre que locais visitar, que estradas seguir, onde dormir, entre outras decisões. Suspeitara já que não seria tarefa fácil organizar os detalhes desta viagem a quatro, visto que é raro o dia em que dois destes elementos não pensam em esganar o outro para que os seus planos e ideias levem a melhor. O que é certo é que numa coisa todos estávamos de acordo: a nossa viagem começaria pela capital deste país, Dublin. Com alguma sorte encontrámos um alojamento que não nos obliterou o orçamento. Viemos mais tarde a descobrir que optáramos por uma das zonas da cidade ...