Avançar para o conteúdo principal

Dicas para escrever uma carta de motivação eficaz


Como escrever a melhor carta de motivação
Qualquer texto deve ser submetido a uma cuidadosa revisão. Fonte: Unsplash

Escrever uma boa carta de motivação para nos candidatarmos ao emprego que tanto almejamos pode não ser tarefa fácil. Afinal, por onde começar? Qual a extensão ideal do texto? A quem o dirigir? Qual o tom ideal da carta? Que tipo de linguagem usar?

Muitas são as perguntas que nos assaltam no momento de escrever esse texto que funciona como a nossa primeira apresentação, acabando por consistir também numa breve argumentação de porque é que devemos ser nós, e não outros, os felizes contemplados com o emprego em questão.

Se este é um texto que pode determinar o nosso futuro profissional, devemos, obviamente, dedicar-lhe tempo e atenção — o que não significa (atenção!) que escrevamos imenso. Pelo contrário!

É, sim, essencial depurar e polir o texto — pelo que entre uma página a uma página e meia de parágrafos curtos deve ser suficiente para passar, de forma sucinta, por todos os tópicos que abaixo referimos.

Conheçamos, então, a estrutura da carta de motivação, já que há alguns pontos que ela deve contemplar.

São eles:

1) A saudação. Dirigir a carta a uma pessoa ou entidade específica (por exemplo, alguém num cargo de direcção ou, então, à instituição/empresa a que te candidatas), numa saudação do género: «Caro(a)/ Exmo/a Coordenador(a/) Director».

2) A apresentação. Integrar a apresentação de quem és, indicando a tua formação académica e experiência profissional, sobretudo aquela que for relevante para o cargo a que te estás a candidatar. Claro que, à partida, terás mais oportunidades de conseguir o lugar se os empregadores detectarem uma certa coerência e alguma relação ou vínculo entre os teus estudos/experiências laborais e a posição a que candidatas.

3) O corpo do texto: a 'justificação'. Esclarecer a razão da tua candidatura: afinal, porque te candidataste a este emprego? Quanto mais genuína for a tua vontade de conseguir esse emprego, mais fácil será demonstrá-lo numa frase — sim, neste tipo de texto a sinceridade ‘topa-se a léguas’, a não ser que sejas um verdadeiro poeta e um exímio fingidor! Aqui poderás demonstrar (brevemente) porque é que este emprego é realmente importante para ti e porque é que vai ao encontro dos teus gostos e interesses pessoais e profissionais. É, por isso, fulcral que personalizes a resposta a esta posição específica. Portanto, não vale utilizar coisas gerais que poderiam estar numa outra carta de motivação, já que é essencial que quem a leia sinta que estás, de facto, a candidatar-te com todo o teu empenho àquele emprego naquela instituição/empresa e não noutra.

4) O corpo do texto: a argumentação. Dar argumentos para que o empregador veja em ti o candidato ideal. Como? Estabelecendo uma ligação entre o que foi dito anteriormente, na secção 3), e adicionando as características — algumas pessoais, mas sobretudo profissionais — que constituem vantagens que podes trazer para a posição em questão. Mas, calma! Isto não significa que enumeres uma longa lista das tuas qualidades pessoais e profissionais (ainda que as tenhas). Afinal o captatio benevolentiae — isto é, a tua capacidade de captar a empatia do teu leitor — é essencial para convenceres o leitor-empregador. Por isso, diz das tuas qualidades mas mantém a humildade.

6) A despedida e assinatura. Despedires-te com as formalidades devidas é fundamental. Por exemplo: «Cordialmente/ Com os meus melhores cumprimentos» e, claro, assinando o teu nome — que, esperemos, fique na memória do empregador.

Quanto à linguagem, deves optar por um estilo:

· objetivo e conciso  indo directo ao assunto e sem divagar (pesa cada palavra antes de a escrever);

· formal — evitando expressões coloquiais, características da oralidade — e, claro, evitando também um discurso demasiado pessoal e sentimental. Foge de frases do tipo: «Este é o emprego dos meus sonhos»; «Desde pequeno que pretendo trabalhar na vossa empresa». Estás a candidatar-te a um emprego e não a pedir encarecidamente um favor à tua fada madrinha. Por isso, apela ao teu bom senso quando abrires o documento word para escreveres a tua carta de motivação.

É também essencial que revejas o texto para garantires que nenhuma gralha ou erro deita tudo por água abaixo. Se o cargo a que te candidatas for na área das Humanidades, é ainda mais importante que o texto seja irrepreensível. 

Lembra-te: um bom texto pode ajudar-te a conquistar a posição que tanto ambicionas! E se precisares de ajuda, não hesites em contactar a Escrivaninha :)

Escrivaninha

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O particípio passado com valor adjetival

  A  palavra “passado” — não o passado que passou, mas o adjectivo — é muitas vezes erradamente utilizada.  A culpa do erro? Atribuimo-la à confusão com uma outra classe de palavra: o advérbio , que  não  varia em género (masculino e feminino) e número (singular e plural).  Por causa deste quipróquo, dizemos amiúde “passad o ”, mesmo quando deveríamos usar “passada”, “passadas” ou “passados”,  conforme a expressão a que o adjectivo diga respeito. E sta confusão acontece apenas quando se usa o adjectivo num contexto temporal, isto é, com o sentido de  determinado tempo volvido,  já que a ninguém ocorre usar sempre “passado” noutros contextos, como: " A camisa foi mal  passado ."  " Quero os bifes bem  passado , por favor!", " A tarde e a manhã foram bem  passado ."  Toda a gente diz, e bem: A camisa foi mal  passada .  Quero os bifes bem  passados , por favor!  A tarde e a manhã foram bem  pass...

Corpo de Cristo: BD e bordado

Sempre fui avessa a bordados. Na primária tínhamos de fazer trabalhos para o dia da mãe em ponto de cruz. As minhas linhas sobrepunham-se caoticamente em nós, todos os dias perdia uma agulha e ia, com a minha mãe, a quem daria aquele pano com meia dúzia de rosas esparsas, comprar o efémero instrumento de trabalho.  Ficava à porta da retrosaria, com vergonha da vendedora. "Mas ela fica toda contente porque vende mais uma agulha!" animava-me a minha mãe, depois de me repreender levemente por ter perdido mais uma! .  Quem diria que a minha relação com o bordado se redimiria através de uma novela gráfica: Corpo de Cristo , da autora galega Bea Lema.  Há experiências artísticas anteriores que combinam narrativa e têxtil, de autores como Aurélie William Levaux, Thisou Dartois e Gareth Brookes. Além destes, são dignas de menção as antigas arpilleras chilenas , que inspiraram a autora: bordados artesanais criados por um grupo de mulheres de Isla Negra, entre 1970 e 1990, durante...

Homenagem em forma de pergunta

Todos sabemos que os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e auxiliares) foram essenciais quando a COVID-19 entrou em cena. Foi também na altura em que a comunidade médica mais precisava de alento que Marta Temido injustamente apelou à sua resiliência extra e que, numa triste ironia, Costa lhes chamou «cobardes» em off . Em jeito de singela homenagem decidimos entrevistar alguns médicos jovens, que enfrentam, durante a formação especializada, as duras primeiras provas de fogo. Aqui ficam alguns dos seus testemunhos sobre como é afinal trabalhar a cuidar dos outros. Esta é a primeira parte da nossa singela "Homenagem em forma de pergunta". *** Sandra Cristina Fernandes Pera Médica de Medicina Geral e Familiar Sandra Fernandes 1) Porquê Medicina? Porque Medicina é um mundo. Aprendo imenso com as histórias dos pacientes. É uma área que me faz ver que não há duas pessoas iguais: cada doente pede um tratamento, um cuidado e atenção personalizados, individualizados. 2) Aquel...